Passados pouco mais de três anos da chacina que assustou o sertão paraibano, quatro acusados sentarão no banco dos réus. O julgamento será na cidade de Catolé do Rocha (PB) e terá como protagonistas três policiais militares que trabalhavam em Mossoró na época da chacina que vitimou três pessoas de uma mesma família. Os militares foram presos logo após o crime e ainda continuam recolhidos em uma unidade militar. Além deles, um quarto acusado também será julgado.
Os soldados Andriê Herculano de Oliveira, 33 anos, Ewerton Fernandes da
Silva, “Bio”, 41, e Antônio Carlos Ferreira da Silva, “Carlão”, 40, continuam
presos no Segundo Batalhão de Polícia Militar de Mossoró. Além deles, será
julgado pela chacina o paraibano Erinaldo de Oliveira Pereira, “Mongoloide”. Os
quatro sentarão no banco dos réus na próxima terça-feira, 19, em Catolé do
Rocha. Há ainda um quinto acusado, que é o mototaxista mossoroense Alan
Evangelista das Neves, 32. Ele foi preso meses após os demais e será julgado
separadamente, ainda sem previsão definida.
Os cinco foram indiciados pela Polícia Civil e denunciados pelo
Ministério Público Estadual de Catolé do Rocha pela morte de Veronaldo de
Freitas Alves, que era conhecido como “Veronaldo Veras”, sua mãe, a
dona-de-casa Ivani Veras de Freitas, e o caseiro da família, Francisco
Luzinaldo da Silva. Eles foram executados com vários tiros de pistola e
escopetas de calibre 12, na madrugada do dia 6 de março de 2009, em um sítio
que fica localizado na zona rural de Brejo dos Santos (PB), divisa com a cidade
de Bom Sucesso (PB). A chacina só foi descoberta no dia seguinte pelos
moradores.
A Polícia Civil elucidou o crime a partir da prisão de “Mongoloide”.
Antes de ser executado, Veronado Veras ligou para um parente e disse que estava
esperando a visita de Mongoloide e seu primo, que é o soldado Andriê. Os dois
iriam à casa de Veronaldo para negociar uma arma, pertencente ao PM do RN. No
dia seguinte, os três moradores da casa foram encontrados mortos, vítimas de
inúmeros disparos de pistola e escopeta.
PMs foram presos em Mossoró depois da chacina
Os soldados Andriê Herculano de Oliveira, Ewerton Fernandes da Silva,
“Bio”, e Antônio Carlos Ferreira da Silva, “Carlão”, foram presos em Mossoró,
em ocasiões diferentes. O primeiro a ser colocado detrás das grades foi Andriê,
cujas provas iniciais do envolvimento eram mais robustas.
Ele foi preso na manhã do dia 7, um dia após a descoberta da chacina no
sertão paraibano. Andriê se apresentou para o trabalho no II BPM e foi
comunicado que havia uma ordem de prisão da Justiça da PB.
Na casa dele, foram apreendidas balas de calibres 380 e 357, além de
cartuchos para escopeta de calibre 12, uma pistola de calibre 380 com três
carregadores, todos sem registro oficial, e uma coronha de espingarda de calibre
12. Os calibres eram idênticos aos das armas utilizadas na chacina.
Menos de uma semana depois, os soldados Bio e Carlão também foram
presos, em Mossoró. O primeiro deles se apresentou no II BPM, enquanto o outro
recebeu voz de prisão ao se apresentar para o serviço na Cadeia Pública Juiz
Manoel Onofre de Sousa.
O trio foi encaminhado para o quartel do Comando-Geral da Polícia
Militar, em Natal, onde ficou preso durante o período da investigação. Eles
foram transferidos de volta para o II BPM e continuam presos, esperando o
julgamento.
O último acusado a ser preso foi Alan Evangelista das Neves, localizado
no interior do Ceará, durante uma abordagem feita por policiais rodoviários
federais. Ele estava em uma motocicleta com placa adulterada e acabou preso.
A moto pertencia a um mototaxista que havia sido assassinado e foi
encontrado sete dias depois, em abril de 2009.
Tanto ele quanto Erinaldo de Oliveira Pereira, “Mongoloide”, o primeiro
a ser preso, continuam à disposição da Justiça, esperando o julgamento.
Via Jornal De
Fato
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