Professor de História da Uern, Antônio Gomes – Foto Célio Duarte
A igreja celebra a memória dos Mártires Padre André de Soveral, Padre
Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e outros, hoje, 3. Na
Arquidiocese de Natal, as celebrações acontecerão em dois locais:
Santuário dos Mártires, no bairro de Nazaré, Zona Oeste de Natal, e
Santuário dos Mártires, na comunidade de Uruaçu, em São Gonçalo do
Amarante.
No Santuário dos Mártires, no bairro de Nazaré, às 9h30, de hoje, 3,
feriado estadual, será celebrada missa, presidida pelo Arcebispo
Metropolitano de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha. Lá, a programação
festiva vem sendo desenvolvida desde o dia 23 de setembro.
Já no Santuário dos Mártires, em Uruaçu, a programação será intensa. A
primeira missa será celebrada, às 7 horas. Depois, às 10h e às 12h,
também haverá missa. A partir das 10 horas, haverá atendimento de
confissões. A partir das 14 horas, acontecerá show com a cantora
católica, Fátima Santos, de Natal. Às 16h, haverá show com Elba Ramalho,
e, às 18 horas, concelebração eucarística, presidida pelo Arcebispo,
Dom Jaime Vieira Rocha. Na ocasião, será lançada a campanha em prol da
beatificação do Padre João Maria, sacerdote potiguar que se dedicou à
prática da caridade.
HISTÓRIA
O feriado dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, padroeiros do Rio Grande
do Norte, foi decretado pela lei estadual Nº 8.913/2006, durante o
governo de Wilma de Faria.
O professor de História da Universidade do Estado do Rio Grande do
Norte (UERN), professor Antônio Gomes, explica que a data remete à ação
de holandeses no Estado, que tinha o objetivo de tomar posse dos
povoados das regiões de dois engenhos denominados Uruaçu e Cunhaú,
situados na região Mato Grande, já próximos ao município de João Câmara.
“Os holandeses reuniram os índios tapuios, os índios mais bravos que
residiam na região de Mossoró e do Vale do Açu, e partiram para fazer
essa tomada. A partir do ataque dos holandeses, integrantes dos povoados
foram assassinados dentro da própria igreja, episódio que originou os
mártires de Cunhaú e Uruaçu”, disse.
Segundo Antônio Gomes, pouco mais de 80 pessoas foram assassinadas
durante o ataque holandês. Contudo, ele afirma que a data representa a
resistência dos povoados à invasão e permite recordar a força econômica
do RN na época devido ao cultivo de cana de açúcar e à produção de carne
de sol. “Além da cana de açúcar, o Rio Grande do Norte também
trabalhava com a produção de carne, abastecendo os Estados de Pernambuco
e Ceará”, disse.
RELIGIOSIDADE
Em reconhecimento ao feito dos Mártires de Uruaçu, em 16 de junho de
1989 o processo de beatificação foi concedido pela Santa Sé. Em 21 de
dezembro de 1998, o papa João II assinou o decreto reconhecendo o
martírio de 30 brasileiros, sendo dois sacerdotes e 28 leigos.
A celebração de beatificação aconteceu na Praça de São Pedro, no
Vaticano, no dia 5 de março de 2000. A cerimônia religiosa foi presidida
pelo papa João Paulo II. No local do massacre foi erguido o Monumento
dos Mártires em memória dos Bem-Aventurados. O espaço é aberto aos
turistas e religiosos, e a cada mês de outubro recebe centenas de fiéis
de todas as partes que acompanham as celebrações e festividades em
homenagem aos mortos.
Em homenagem ao morticínio, foi erguido um monumento na localidade de
Uruaçu, próximo aonde ocorreu o martírio, denominado ‘Monumento aos
Mártires’, que foi inaugurado no dia 5 de dezembro de 2000 com a
presença de aproximadamente 15 mil pessoas, incluindo diversas
autoridades eclesiásticas e governamentais.
O local abrange uma área de dois hectares, doada pela família
Veríssimo, proprietária da fazenda. O Monumento aos Mártires foi
projetado pelo arquiteto Francisco Soares Júnior, tendo capacidade para
receber 20 mil peregrinos. Atrás do palco há um painel medindo 30
metros. O Capelão do monumento é o Padre Antônio Murilo de Paiva.
Do Jornal Gazeta do Oeste
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