sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Igreja lembra Mártires de Cunhaú e Uruaçu


Professor de História da Uern, Antônio Gomes – Foto Célio Duarte
 Professor de História da Uern, Antônio Gomes – Foto Célio Duarte

A igreja celebra a memória dos Mártires Padre André de Soveral, Padre Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e outros, hoje, 3. Na Arquidiocese de Natal, as celebrações acontecerão em dois locais: Santuário dos Mártires, no bairro de Nazaré, Zona Oeste de Natal, e Santuário dos Mártires, na comunidade de Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante.
No Santuário dos Mártires, no bairro de Nazaré, às 9h30, de hoje, 3, feriado estadual, será celebrada missa, presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha. Lá, a programação festiva vem sendo desenvolvida desde o dia 23 de setembro.

Já no Santuário dos Mártires, em Uruaçu, a programação será intensa. A primeira missa será celebrada, às 7 horas. Depois, às 10h e às 12h, também haverá missa. A partir das 10 horas, haverá atendimento de confissões. A partir das 14 horas, acontecerá show com a cantora católica, Fátima Santos, de Natal. Às 16h, haverá show com Elba Ramalho, e, às 18 horas, concelebração eucarística, presidida pelo Arcebispo, Dom Jaime Vieira Rocha. Na ocasião, será lançada a campanha em prol da beatificação do Padre João Maria, sacerdote potiguar que se dedicou à prática da caridade.

HISTÓRIA
O feriado dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, padroeiros do Rio Grande do Norte, foi decretado pela lei estadual Nº 8.913/2006, durante o governo de Wilma de Faria.

O professor de História da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), professor Antônio Gomes, explica que a data remete à ação de holandeses no Estado, que tinha o objetivo de tomar posse dos povoados das regiões de dois engenhos denominados Uruaçu e Cunhaú, situados na região Mato Grande, já próximos ao município de João Câmara.

“Os holandeses reuniram os índios tapuios, os índios mais bravos que residiam na região de Mossoró e do Vale do Açu, e partiram para fazer essa tomada. A partir do ataque dos holandeses, integrantes dos povoados foram assassinados dentro da própria igreja, episódio que originou os mártires de Cunhaú e Uruaçu”, disse.

Segundo Antônio Gomes, pouco mais de 80 pessoas foram assassinadas durante o ataque holandês. Contudo, ele afirma que a data representa a resistência dos povoados à invasão e permite recordar a força econômica do RN na época devido ao cultivo de cana de açúcar e à produção de carne de sol. “Além da cana de açúcar, o Rio Grande do Norte também trabalhava com a produção de carne, abastecendo os Estados de Pernambuco e Ceará”, disse.

RELIGIOSIDADE
Em reconhecimento ao feito dos Mártires de Uruaçu, em 16 de junho de 1989 o processo de beatificação foi concedido pela Santa Sé. Em 21 de dezembro de 1998, o papa João II assinou o decreto reconhecendo o martírio de 30 brasileiros, sendo dois sacerdotes e 28 leigos.

A celebração de beatificação aconteceu na Praça de São Pedro, no Vaticano, no dia 5 de março de 2000. A cerimônia religiosa foi presidida pelo papa João Paulo II. No local do massacre foi erguido o Monumento dos Mártires em memória dos Bem-Aventurados. O espaço é aberto aos turistas e religiosos, e a cada mês de outubro recebe centenas de fiéis de todas as partes que acompanham as celebrações e festividades em homenagem aos mortos.

Em homenagem ao morticínio, foi erguido um monumento na localidade de Uruaçu, próximo aonde ocorreu o martírio, denominado ‘Monumento aos Mártires’, que foi inaugurado no dia 5 de dezembro de 2000 com a presença de aproximadamente 15 mil pessoas, incluindo diversas autoridades eclesiásticas e governamentais.

O local abrange uma área de dois hectares, doada pela família Veríssimo, proprietária da fazenda. O Monumento aos Mártires foi projetado pelo arquiteto Francisco Soares Júnior, tendo capacidade para receber 20 mil peregrinos. Atrás do palco há um painel medindo 30 metros. O Capelão do monumento é o Padre Antônio Murilo de Paiva.

Do Jornal Gazeta do Oeste

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