O líder do governo na Câmara Municipal Claudionor dos Santos (PMDB) apelou a questões religiosas para explicar seu envolvimento na "Operação Vulcano" em pronunciamento ontem no Palácio Rodolfo Fernandes.
Ao subir na Tribuna da Casa ele fez questão de pedir a todos os presentes a darem-se as mãos e rezarem a oração do Pai-nosso. Em seguida, ele fez críticas à Polícia Federal e ao Ministério Público, tachando seus representantes de ateus. "Estamos sendo agredidos por pessoas que não acreditam em Deus e se escondem atrás de instituições. Tenho certeza de que não vão encontrar nada", disparou.
Apelando para o emocional, o líder do governo afirmou que foi preso na frente de filhos e netos numa situação humilhante. "Podem continuar a perseguição a Claudionor", desafiou.
O peemedebista disse que retorna ao convívio com a sociedade de cabeça erguida. "Fui preso por defender os empregos dos mossoroenses", acrescentou.
Ele disse ainda que sempre foi investigado e nunca acharam nada contra ele. "Estou na vida pública há 16 anos sempre com as mãos limpas e cuidando da minha família. Será que me prenderam porque tenho uma bela família? Ou porque moro no mesmo canto há 40 anos?", questionou.
APARTES
O líder do governo recebeu vários apartes em tom de solidariedade. O vereador Lairinho Rosado (PSB) disse considerar as prisões desnecessárias. O vice-presidente da Câmara, Jório Nogueira (PSD), que presidia a sessão, reforçou que os vereadores não são o alvo principal da "Operação Vulcano". "O foco são os empresários, e o projeto foi apresentado pelo Poder Executivo", disse.
A primeira integrante da bancada governista a falar foi Maria das Malhas (DEM), que se disse chocada. "Você é um homem de bem, do povo. Vá em frente", aconselhou.
Já Cláudia Regina (DEM) cobrou respeito às pessoas que são investigadas em operações da Polícia Federal e Ministério Público. "Mossoró se sentiu agredida com tudo que aconteceu. Acreditamos e confiamos no cidadão, no colega de trabalho e no amigo", garantiu.
Os vereadores Ricardo de Dodoca (PTB) e Flávio Tácito (DEM) também registraram solidariedade.
Genivan diz que houve exageros na "Operação Vulcano"
Quem também usou a Tribuna da Câmara Municipal para se manifestar sobre a "Operação Vulcano" foi Genivan Vale (PR).
Ele prestou solidariedade a Claudionor e aos empresários detidos e lamentou a publicação de sua foto em um jornal da cidade, de forma deliberada. "Não entendi a minha foto no Jornal de Fato, pois fui citado apenas por ser autor de um projeto que autoriza a abertura de novos postos de combustíveis em Mossoró, e nada mais", disse.
Condenou o clima policialesco que envolveu a ação, dizendo que isso precisa acabar no Brasil. "Isso não pode mais existir, traumatizando famílias com prisões injustas. O trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal deve existir, e reforço o respeito que já foi manifestado aqui, porém não da forma realizada em Mossoró", concluiu.
Lembrou Genivan dos embates travados no plenário da Câmara Municipal de Mossoró, às vezes, chegando a níveis pesados, porém sempre evitou levar para o lado pessoal. Ele argumentou nunca haver tomado este caminho por saber, por exemplo, que por trás de um vereador como Claudionor dos Santos tem a família, esposa, filhos, netos, sua mãe, irmãos que precisam ser respeitados. "Ações, como a ocorrida envolvendo o vereador, geram traumas que podem ficar para sempre", disse Genivan.
Bruno Barreto
Editor de Política do Jornal O Mossoroense
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