Estela
de Carlotto (direita), durante a entrevista para a imprensa em que
confirmou a identidade de seu neto desaparecido, nesta terça (5) (Foto:
Victor R. Caivano/AP)
O neto de Estela de Carlotto, líder da organização argentina Avós de
Praça de Maio, teve sua verdadeira identidade confirmada após se
apresentar voluntariamente a um exame genético, informaram os jornais
locais nesta terça-feira (5). "Já tenho meus 14 netos comigo.
Não queria
morrer sem abraçá-lo", disse Estela, de 83 anos, em entrevista coletiva
na qual confirmou o reencontro com seu neto Guido Carlotto, nascido em
cativeiro.
Guido nasceu em cativeiro e desapareceu desde a última ditadura
argentina (1976-1983). Ele é o filho de Laura, filha desaparecida de
Estela.
"O resultado é positivo. Encontramos o meu sobrinho depois de 35 anos.
Ele se apresentou voluntariamente, submeteu-se a um exame de DNA e deu
99,9% de compatibilidade. É uma emoção enorme", disse ao canal Todo
Noticias Kivo Carlotto, filho de Estela e tio do homem encontrado. Kivo
também é secretário de Direitos Humanos da província de Buenos Aires.
Segundo a agência de notícias EFE, a presidente da Argentina, Cristina
Kirchner, ligou para felicitar Estela. "Cristina me ligou, me perguntou
se era verdade, lhe disse que sim e aí choramos juntas", disse ela
durante uma entrevista coletiva.
A luta de Estela de Carlotto começou com as tradicionais manifestações
na Praça de Maio. Ela direcionou sua luta para recuperar as crianças que
haviam nascido em cativeiro e sido entregues a outras famílias, sem
saber sua verdadeira identidade.
O corpo da filha de Estela de Carlotto foi encontrado sem vida e
entregue a sua mãe no mesmo dia de seu assassinato, mas o menino não foi
achado, e a busca levou a avó a ser uma das fundadoras da associação.
Cerca de 30 mil pessoas desapareceram durante a última ditadura
argentina, segundo os órgãos de defesa de direitos humanos, e cerca de
500 netos foram afastados de suas famílias biológicas. O neto de
Carlotto é o 111° encontrado pelas Avós.
A busca
Formada em Magistério, profissão que exerceu durante 17 anos, Estela de Carlotto se incorporou em 1978 ao recém fundado grupo de Avós da Praça de Maio, e dois anos depois foi nomeada vice-presidente.
Formada em Magistério, profissão que exerceu durante 17 anos, Estela de Carlotto se incorporou em 1978 ao recém fundado grupo de Avós da Praça de Maio, e dois anos depois foi nomeada vice-presidente.
Em 1987, sobre a base de um projeto da organização, foi aprovada uma
lei que criou um Banco Nacional de Dados Genéticos. Nele ficou
registrado o mapa genético de cada uma das avós de Praça de Maio.
O neto perdido de Estela, que tem outros 13, tinha dúvidas sobre sua
identidade e se apresentou voluntariamente para fazer um exame de DNA,
que confirmou que ele é filho de Laura.
Em dezembro de 1998, o Parlamento argentino aprovou a lei de Criação do
Fundo de Reparação Histórica para a localização e restituição de
crianças roubadas, que outorgava a Avós de Praça de Maio um subsídio que
equivalia na época a US$ 25 mil mensais durante dois anos. Em 2004, o
fundo foi restabelecido com um subsídio mensal de 15 mil pesos (US$ 3,9
mil).
Estela recebeu em nome da associação que preside, em 1999, o Prêmio de
Direitos Humanos da República Francesa. Entre várias outras honrarias
recebidas, se destaca o Prêmio dos Direitos Humanos da ONU, concedido em
dezembro de 2003.
Em outubro de 2005, ela foi nomeada doutora honoris causa pela
Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), e em 2006 as Avós foram
candidatas ao prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia.
A ativista participou de vários filmes sobre a repressão da ditadura, e
promoveu o Teatro pela Identidade, que com suas apresentações visa
conscientizar sobre a busca de crianças que foram roubadas de seus pais
durante o regime repressor.
Do G1
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